Em obras industriais, concreto não é “só concreto”. A escolha entre classes de resistência, tipos de concreto e soluções de execução impacta diretamente prazo, custo global, durabilidade e desempenho operacional da planta, especialmente em segmentos como mineração, siderurgia, cimento, papel e celulose, energia, petroquímica e indústrias de processo contínuo.
Neste artigo, você vai entender quais são os principais tipos de concreto usados na construção civil industrial, quando faz sentido aplicar cada um e como combinar desempenho técnico com eficiência de obra.
O que é concreto?
Concreto é um composto formado por cimento, água e agregados (areia e brita), podendo incluir adições e aditivos para ajustar trabalhabilidade, resistência, durabilidade e tempo de pega.
Na construção civil industrial, a especificação do concreto vai além de “aguentar carga”: é preciso considerar ambiente de exposição, logística, densidade de armaduras, método de lançamento/adensamento, ciclos de cura e interfaces com outras disciplinas.
Por isso, na prática, a pergunta não é apenas “qual concreto usar?”, e sim qual desempenho estrutural e de durabilidade é exigido, qual o risco de patologias (ninhos, fissuras, baixa compactação), quanto a escolha impacta produtividade e retrabalho e, claro, qual o custo do ciclo de vida (e não só o custo por m³).
Os tipos de concreto mais usados na construção civil industrial
Em obras industriais, concreto não é “tudo igual”. A escolha do tipo certo influencia diretamente a segurança, o desempenho estrutural, a durabilidade e a produtividade em campo, além de impactar o custo global da obra ao longo do tempo.
E isso vale ainda mais em ambientes exigentes, como mineração, siderurgia, cimento, papel e celulose, energia e petroquímica, onde há grandes volumes, prazos críticos e condições de exposição mais severas.
A seguir, você vai conhecer os principais tipos de concreto usados na construção civil industrial, entender em quais situações cada um faz mais sentido e quais critérios ajudam a especificar soluções mais eficientes para o seu projeto.

1. Concreto usinado estrutural (C30 a C50)
É o “trabalho de base” de boa parte das obras industriais: concreto produzido em central e entregue pronto, com controle tecnológico e repetibilidade, pontos críticos quando há grande volume e necessidade de padronização.
Aplicações típicas:
- fundações (blocos, sapatas);
- lajes, vigas e pilares;
- estruturas convencionais de plantas industriais.
É uma boa escolha quando a obra exige regularidade de fornecimento, controle e classes de resistência intermediárias, com boa relação custo-benefício no m³.
2. Concreto armado
É o concreto associado a armaduras de aço, formando o sistema mais comum em estruturas. Na indústria, aparece em praticamente tudo: fundações, estruturas de galpões, bases, muros, contenções, lajes e pórticos.
Esse concreto resiste muito bem à compressão; o aço “entra” para lidar com tração e controlar a fissuração. Em obras pesadas, a compatibilização de armaduras, inserts e embutidos é determinante para a qualidade da concretagem.
3. Concreto protendido
O protendido é essencial quando a estrutura precisa vencer vãos maiores e lidar com cargas elevadas e solicitações específicas (inclusive dinâmicas), reduzindo deformações e fissuras. Na gestão de obras industriais, costuma aparecer em situações onde desempenho estrutural e geometria são críticos.
Aplicações típicas:
- estruturas com grandes vãos;
- elementos submetidos a solicitações mais severas;
- estruturas industriais pesadas e pórticos.
Uma observação importante é que o dimensionamento e a aplicação seguem diretrizes normativas (como a ABNT NBR 6118).
4. Concreto de alta resistência (≥ C55)
Quando o projeto exige resistência elevada e/ou ganhos de durabilidade, entram as classes mais altas (por exemplo, C55 ou superior). Em estruturas industriais, isso pode significar redução de seções, ganho de robustez e melhor desempenho em condições mais agressivas.
Aplicações típicas:
- pilares e elementos esbeltos com altas solicitações;
- fundações especiais;
- estruturas críticas (em termos de carga e durabilidade).
Também se relaciona com requisitos normativos de produção e controle (por exemplo, ABNT NBR 12655 e NBR 8953).
5. Concreto autoadensável (CAA)
O CAA é formulado para se adensar por conta própria, preenchendo formas e envolvendo armaduras com menor dependência de vibração. Isso é especialmente valioso em obras industriais com alta densidade de armaduras, geometrias complexas e regiões críticas de concretagem.
Benefícios típicos:
- redução de falhas de concretagem (ninhos, vazios);
- aumento de produtividade;
- melhor acabamento;
- menor interferência de vibração em áreas sensíveis.
Do ponto de vista econômico, embora o m³ possa ser mais caro, há cenários em que o CAA reduz custo global de execução por ganhos de produtividade e menor mão de obra.
6. Concreto de alto desempenho (CAD)
O CAD é uma “família” de concretos formulados para elevar simultaneamente resistência e durabilidade (via baixa permeabilidade, melhor empacotamento, adições etc.).
Em obras industriais, ele costuma ser avaliado quando o objetivo é reduzir seções, reduzir consumo de aço e aumentar a vida útil, favorecendo o custo no médio e longo prazo.
7. Concretos especiais para pisos industriais
Pisos industriais sofrem agressões particulares: abrasão, impacto, cargas móveis (empilhadeiras, carretas), além de exigências de planicidade e desempenho operacional. Por isso, é comum especificar concretos com características voltadas a esse uso.
Afinal, um piso mal especificado vira um gargalo de operação e de manutenção. Já concretos adequados ao uso reduzem paradas, reparos e custo ao longo da vida útil.
8. Concreto magro
O concreto magro tem baixo teor de cimento e resistência inferior ao estrutural. Na indústria, é frequentemente usado como lastro ou camada de regularização, por exemplo, para melhorar condições de apoio e limpeza antes de fundações e concretagens principais.
Onde aparece:
- regularização de base;
- proteção/lastro sob fundações;
- preparação de superfície para execução.
9. Concreto ciclópico
O ciclópico combina concreto com pedras de maior dimensão (matacões), sendo aplicado em soluções específicas, geralmente associadas a grandes volumes, onde a técnica é adequada e prevista em projeto.
Aplicações típicas (dependem de projeto):
- blocos e maciços de grande volume;
- situações onde o método construtivo e o desempenho esperado justificam a solução.
10. Concreto leve
O concreto leve busca reduzir o peso próprio, seja por agregados leves (como argila expandida), seja por soluções específicas. Em um contexto industrial, pode ser considerado em situações onde o peso é um fator relevante, sempre com análise de desempenho, vibração e compatibilidade.

O impacto da escolha do tipo de concreto na qualidade e no custo da obra
A escolha do concreto impacta diretamente o desempenho técnico, o custo global e o prazo da obra, especialmente em ambientes industriais.
Impactos na qualidade
Em termos de durabilidade, concretos de menor relação água/cimento e maior densidade apresentam menor permeabilidade e maior vida útil. Já pensando na redução de patologias, o uso adequado de CAA e concretos de alto desempenho reduz ninhos, fissuras e retrabalhos. Pensando em confiabilidade estrutural, atende às exigências normativas e operacionais de plantas industriais contínuas.
Impactos no custo
Numa relação entre custo inicial e custo do ciclo de vida, concretos mais tecnológicos têm maior custo por m³, mas reduzem manutenção, atrasos e reforços futuros. Pelo viés da produtividade, o CAA pode reduzir custos globais da obra em função da menor mão de obra e maior velocidade de execução.
Os concretos com melhor eficiência e custo-benefício em projetos específicos
Embora a Cardan não divulgue traços ou soluções proprietárias de concreto por se tratar de condições específicas de cada projeto, sua estratégia de construtibilidade e eficiência indica a adoção de soluções com melhor equilíbrio técnico-financeiro.
Na prática industrial, destacam-se:
- concreto autoadensável (CAA): estudos mostram que, para classes até 40 MPa, o CAA pode apresentar custo global até 7,6% inferior ao concreto convencional, considerando execução e mão de obra;
- concreto de alto desempenho (CAD): permite redução de seções estruturais, menor consumo de aço e maior durabilidade, trazendo ganhos econômicos no médio e longo prazo;
- concretos específicos para pisos industriais: otimizam desempenho operacional e reduzem custos de manutenção ao longo da vida útil da planta.
Os principais desafios ao trabalhar com diferentes tipos de concreto em obras industriais
Em obras industriais de grande porte, como as executadas pela Cardan, os desafios mais relevantes incluem:
- logística e controle tecnológico em grandes volumes de concreto;
- compatibilidade entre projeto estrutural, concreto e método construtivo, especialmente em estruturas especiais;
- ambientes agressivos (químicos, abrasivos, térmicos), que exigem concretos com maior durabilidade;
- prazo de execução reduzido, comum em plantas industriais com impacto direto no CAPEX do cliente.
Inovações e melhorias recentes implementadas pela Cardan
Uma inovação da Cardan está relacionada ao processo de escolha e utilização do concreto, que não é associada à tecnologia do material, mas sim ao controle avançado do planejamento, do sequenciamento construtivo e da execução das obras.
Segundo o Gerente de Contratos da Cardan, João Marcelo, esse diferencial é sustentado pela adoção estruturada das metodologias BIM 3D e BIM 4D, aplicadas de forma prática e integrada às obras industriais.
Metodologia BIM 3D
“O BIM 3D é utilizado como ferramenta de compatibilização técnica e apoio à decisão, permitindo a modelagem tridimensional detalhada das estruturas de concreto, com integração precisa entre geometria estrutural, armaduras, formas, inserts, embutidos e interfaces com outras disciplinas”, explica João Marcelo.
Essa compatibilização antecipada possibilita a identificação de interferências ainda na fase de planejamento, a análise de regiões críticas de concretagem e a avaliação real das condições de execução.
Como resultado, a especificação do tipo de concreto passa a considerar não apenas requisitos de resistência, mas também fatores como trabalhabilidade, método de lançamento, adensamento, densidade de armaduras e ambiente de exposição, garantindo maior adequação técnica e redução de riscos em campo.
Metodologia BIM 4D
Já o BIM 4D incorpora a dimensão do tempo ao modelo tridimensional, integrando o planejamento executivo ao avanço físico da obra.
“Essa metodologia permite estruturar de forma lógica e controlada o sequenciamento das concretagens, considerando prazos de cura, logística de fornecimento, liberação de frentes de trabalho e interfaces com a montagem industrial”.
A simulação prévia das etapas construtivas reduz falhas de planejamento, minimiza retrabalhos e evita paralisações decorrentes de conflitos entre atividades.
A aplicação combinada do BIM 3D e do BIM 4D impacta diretamente:
- a especificação correta do tipo de concreto, alinhada às condições reais de execução;
- a definição eficiente da sequência de concretagens, com maior controle técnico e operacional;
- a redução de interferências, desperdícios e retrabalhos, elevando a produtividade, a eficiência e o controle de custos.
Dessa forma, a Cardan transforma o planejamento e o controle da execução em um diferencial competitivo, assegurando maior previsibilidade, qualidade e desempenho econômico em obras industriais de alta complexidade.
Se você quer entender como o fornecimento e a logística entram nessa equação, vale conferir também o conteúdo: Por que uma central de concreto móvel própria é decisiva em obras industriais remotas?
Os tipos de concreto são muitos, mas, na construção civil industrial, a decisão correta nasce do encontro entre engenharia, execução e planejamento. Concreto usinado estrutural, armado/protendido, alta resistência, CAA, CAD e soluções específicas para pisos aparecem com frequência porque resolvem necessidades reais de produtividade, controle e durabilidade em ambientes exigentes.
Se a sua obra envolve grandes volumes, prazos críticos e operação contínua, vale tratar a especificação do concreto como o que ela é: uma decisão estratégica de performance e custo do ciclo de vida.
Quer discutir o melhor caminho para o seu projeto? Fale com a Cardan e entenda como alinhar especificação, planejamento e execução para ganhar previsibilidade e desempenho em obras industriais.
